SONETO I

 NO INVERNO, quando a casca de minha pele lutava contra cada folha

 desprendida de meus ramos e as raízes buscavam cada vez mais profundas a água que não vinha,

desterrada de frio nos afélios, o ar opresso e seco sufocou tenazmente a seiva em meus desfolhados pulmões.

 Quando cada nutriente se tornou escasso e quebradiço, caído a um milímetro além

 do que meu ligneo poderia alcançar, quando o vento veio frio e aferiu minhas feridas e

 cada fresta de madeira se encolheu em sua medida como que sentindo a incisão trazida pela nova estação,

 quisestes que eu fosse o pinho escolhido e que meu coração aciculifoliado esquecesse suas neves.

 Assim, tu chegastes e pelo orvalho em meus talhos, subistes por meu critério.

 por Dayton "Blues" Diniz Jr ICQ UIN: 3192774 "Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras" - Manuel Bandeira

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