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Soneto II![]()
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FIZ-TE, meu bem, estes versos duros da mais pura matéria,
de madeira opaca e rugosa, dotei-os dos sonidos mais simples ocultos na cerne da mais selvagem e
intocada planta da terra, nutri todos os seus timbres de troncos e ocos para
que não soassem como vento entre cristais e pratarias, mas tão e simplesmente como vento,
o vento que és e que te erigiste por entre as folhas com cheiro de âmbar,
e úmida e tão pegada a cada pedaço do ar que respiro.
Dei-te meus sentidos, minha própria e intima natureza dentro de cada sussurro,
de cada cacho e castanha por sobre cada chuva e escuro onde esteve meu caminhar oferto-os a ti com o
mesmo afeto da água que corre para o solo com o mesmo intento que sobe do olor do vento entre as árvores,
este que te dotaste da destreza da brisa e de toda simplicidade.
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por Dayton "Blues" Diniz Jr ICQ UIN: 3192774 "Amar é transgredir-se" (Guimarães Rosa)