Ai que saudade

 




 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 


 

 




 

 

 


 

 

 

 


Ai que saudade....

Ouvindo as canções que ele NÃO fêz pra mim, bateu a saudade...Saudade daqueles tempos....

Relembrei quando chegou a primeira tv em casa,era menininha ainda...mas alguma coisa eu me lembro...
Lembro que não trocava de roupa na frente da tv de forma alguma....afinal o "home ali" não podia me ver sem roupa! Saudade...

O Silvio Santos era o "peru que fala", e fazia caravanas com espetáculos na carroceria de um velho caminhão.. 
Chacrinha ainda não sabia quem era...muito menos sabia da Rita Cadillac...ou de Antonio Fagundes

Saudades....
Do tempo em que "passar o anel" era brincadeira de criança, era brincadeira de roda na rua...Saudade do algodão doce vendido na porta de casa...do tempo em que suspiro era um doce colorido com bolinhas coloridas em cima...e não ficar "suspirando" quando passa um "gato".

Saudades...
Do tempo em que "gato" era referência à um animal felino e não ao ser humano. Saudades da quermesse na igreja, saudades da primeira comunhão, das aulas do catecismo. Saudades da inocência de criança, que ao ver uma foto com beijo na revista, escondi,ninguém podia saber que eu tinha uma "revista daquela"(era a revista grande hotel - revista de foto-novelas)

Saudades...
relembro minha primeira desilusão, que bobagem...(foi com o Rei Roberto Carlos), chorei quando ele casou com Nice...no meu coração inocente ele não podia casar com ninguém, afinal ele era meu, 
era nosso Rei...

Saudades....
Do tempo em que "ficar" era "ficar" esperando o namorado no portão, e quando ele chegava ... um beijo rápido com receio de quem estivesse espiando a gente fosse comentar depois...afinal, era moça de "família", filha única, não podia ficar "falada" no bairro, Saudade... 

Saudades das vezes em que o namoradinho, mandava um bilhete escondido e dizia que iria me buscar na saída do colégio...e de mãos dadas, em silêncio carinhoso, entre olhares apaixonados um pelo outro voltava para casa, e já pensando no momento de rever o amado... 

E para beijar mais gostoso não podia faltar drops dulcora ou uma caixinha de mentex, ....um bombom...só um bombom, um bombom sonho de valsa assim de surpresa trazido por ele...era motivo do sorriso mais doce e meigo e principalmente sincero e apaixonado.Saudade....

Mesmo com pernas bonitas, o "velho" não me deixava usar mini-saia...então no caminho do colégio "enrolava" a saia até onde dava...e quando no colégio chegava "desenrolava" a saia...Quando passeava com o namorado ou com as amigas, não faltava grapette ou então guaraná caçula da antártica...Saudade...

Do tempo em que os "bailinhos" era em casa, se recebia tanto "bicão"...a gente nesses bailinhos descobria que a casa da gente era pequena para receber tantos amigos e amigas (claro que a maioria a gente nem conhecia, mas era tudo gente boa) dificilmente acaba em confusão...parecia que existia um pacto entre todos.

Saudades...
Do tempo em que para casar o namorado tinha que ir "pedir a mão" da amada aos seus pais e tinha que "casar de verdade", no "civil" e no religioso...com vestido de noiva branco...e de preferência com o véu maior do que a última amiga que casou e não podia deixar de "jogar o buquê" afinal, aquela que conseguisse o buquê seria com certeza "a próxima vítima"...

Saudades...
De tempos que não voltam mais, tempos dourados...para essa geração que chega agora, sou coroa, sou antiga, mas sou a geração que viveu o tempo da cuba-libre sem medo de Osama Bin Laden, sem imaginar o Anthax, sem saber que iria existir Aids...Afeganistão? Sadan, nunca ouvira falar em tais figuras, em tais lugares... Sou da geração que acreditava no Papa e ia na missa aos domingos...SOU  DA  GERAÇÃO  QUE  ACREDITAVA  NA  PAZ  E  ACHAVA  QUE  ELA  EXISTIA...

Sou da geração que era feliz e não sabia...
Sou da geração que se sente traída pela vida, pois fui educada para ser da união, para ser da família reunida aos domingos com aquele macarrão da mama no almoço e não para sair aos domingos em meio a multidões implorando pela paz e união dos povos. Eu fui traída não só pela vida, mas pelo progresso. Uma traição que me trouxe desconfiança, dúvidas, medo, pavor, horror...

Hoje as meninas não brincam de roda na rua, os meninos não brincam de "pião"...hoje não se precisa mais "enrolar" as saias...hoje não se espera o namorado no portão...hoje não se anda de mãos dadas ingenuamente e muito menos se dá mão ao semelhante...Hoje esperar alguém no portão é se convidar para ser assaltada...

Hoje ir ao cinema é correr o risco de morrer nas mãos de um louco. Andar com os vidros do carro aberto, para receber o vento...a natureza na face...é se dar aos "miliantes". 
Hoje "ficar" é ficar por ficar, nada representa, pois "ontem se ficou " com outra pessoa e amanhã...quem sabe...

Saudades....
ai que saudades...quero ser velha sim, antiga sim, mas tenho comigo lembranças e momentos que toda tecnologia de hoje jamais dará a quem está chegando....e esses momentos...
ah...esses doces momentos EU VIVI! Ai que saudades....
Catherine Roos.

 

 

 





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