AMOR

AMOR , AMORES !!! E DISFARCES !!! FECHADO PARA BALANÇO :



Eram os dizeres na faixa fixada e esquecida , talvez de propósito , do lado de fora da porta daquele estabelecimento.
Um prédio nada modesto , na rua central do bairro mais luxuoso da cidade . Já não existia mais ninguém do lado de dentro , a não ser o seu proprietário , um homem ainda jovem e bonito , de comportamento sério .

Fazia sempre questão de fechar tudo pessoalmente .
Esse era para ele um momento muito especial , fechava tudo , ativava o alarme e se recolhia no escritório , um compartimento amplo e com um largo visual externo , uma vez que se localizava na parte de cima do prédio , e possuía a fachada todinha em vidro Organizava os papéis que faziam parte do rol de documentos e providências que tinha que tomar , para que suas atividades continuassem sem problemas com a sociedade e com a justiça .

Nesse dia porém seu poder de concentração estava em baixa , fez algumas contas e .. começou a morder o extremo da caneta , o telefone toca e ele somente estende a mão e aciona a secretária eletrônica , era a esposa avisando que o jantar estava pronto , mas nem ouviu , uma vez que não sentia nenhuma fome .
Conforme os minutos passavam , sua ansiedade aumentava , impaciente olhava o relógio querendo empurrar seu ponteiro com o olhar , nem percebeu que o ar condicionado não estava ligado , imaginava que suava de nervoso , afinal de contas era terça feira , e ele sabia que era apenas uma questão de tempo , só podia esperar .

Isso já se repetia havia um bom tempo , estava começando a ficar preocupado , mas não sabia que atitudes tomar , sentia apenas uma alegria muito grande e se achava feliz com isso.
Passado mais uns minutos, intermináveis minutos , mais parecidos com horas , eis que novamente seu telefone toca .... ele conta ... uma ... duas ...três vezes , então vai até seu computador , pluga a máquina , acessa uma página de bate papo , e sorri ... sabendo que do outro lado , alguém escreve onde se lê “procurar alguém” “ FECHADO PARA BALANÇO” .

Ana Alice- abril/2001

 

                                                                                                                          

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