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Alegria & Cia ... por muitos , ou poucos dias ....

Passeando pelas ruas de uma pequena cidade , um grande homem de pernas de pau com um megafone em punho , anunciava o espetáculo que seria apresentado logo mais à noitinha.
Todos os moradores saíam nas portas e nas janelas , para apreciar o acontecimento que tirava da rotina tão humilde vilarejo. Acompanhavam aquele homem , todos ao integrantes da companhia :
Um anão de salto alto , uma mulher vestida de bailarina , uma mocinha montada num cavalinho branco, um homem vestido de trapezista e um palhaço , arrastando pela coleira um macaco , que devia ser macaca , pois levava nas costas um filhote , que apesar de todo o barulho , dormia .
Não havia uma só criança que não seguisse de perto , o pobre desfile , de tão pobres artistas , mas que tiravam-lhes olhares encantados e gritos de alegria. Essa cena se repetia todos os dias no mesmo horário , e por incrível que pareça provocava a mesma reação do público , que mal podia esperar para ver e aplaudir o evento , já eleito o mais importante na ordem do dia.
E à noite , no horário anunciado , todos se dirigiam ao local onde se instalara a companhia , num terreno abandonado , na periferia da cidadezinha
Era uma armação de madeira feito arquibancada , com um mastro erguido no centro , coberto com lona já muito gasta e desbotada pelo tempo.
Já do lado de dentro, embaixo daquela humilde cobertura , tudo se transformava , quando o mesmo homem , agora em tamanho normal , num fraque preto velho e surrado, camisa branca amarelada , gravatinha borboleta , cartola e bengala aparecia novamente, se curvava quase até o chão para agradecer os aplausos que somente ele ouvia , depois levantava –se com pinta de grande artista e começava o espetáculo , anunciava os trabalhos sempre como se fosse a primeira vez ... REESSSSPEEEITÁÁÁVELLLLLL PÚÚÚBLIIIIICOOOOOO !!!!!!!!!!!! A GRAN COMPANHIA ESTRELA DA MANHÃ , TEM A HONRA DE APRRREEEESENTARRRRR O MAIS COMPLETO , O MAIS BELO E O MAIOR ESPETÁÁÁÁCULO DA TEEERRAAAA !!!!!.
E as apresentações iam se sucedendo , uma mais rápida que a outra e entre um número e outro , o velho palhaço de cara mal pintada , aparecia para entreter o reduzido público fazendo as suas macaquices , acompanhado é claro , dos dois macacos , que também já dominavam a arte de representar.
E assim por muitos dias a cidade viveu a magia de um mundo , onde imperava a ilusão e o divertimento.
Depois de um certo tempo , aquele alarido se acabou ... e todos viram a lona velha ser dobrada , as madeiras desarmadas e um caminhãozinho lerdo sair da cidade , levando com ele o brilho de todos os olhares e o sorriso de todos os lábios .
Mas ficou plantada naqueles corações , as sementes da esperança e dos sonhos , a certeza de que a felicidade está dentro de cada um , está na veracidade dos sentimentos , e que a beleza é relativa e está sempre onde queremos que ela esteja , basta apenas que estejamos dispostos a enxergá-la , com os olhos d’alma .

Ana Alice ...
março/2001

                   

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